sexta-feira, 28 de agosto de 2026

"Música para Adormecer" Vol.1 (Musidisc - DL 1002 - 1955) - É ou não é uma capa de Joselito Mattos?

Esta capa acima, do disco de 10 polegadas da Musidisc "Música para Adormecer" Vol.1, com Oscar Borghet, Léo Peracchi e Quarteto Celeste (DL-1001 - 1955) é um daquelas interrogações dentro da minha pesquisa sobre as capas do Joselito Mattos. Por ser uma obra extremamante rara, com poucas aparições ao vivo ou na rede, não consegui saber se tem a assinatura de Joselito. Embora os movimentos do pincel lembrem muito as artes feitas para o teatro de revista no mesmo período, a dúvida está no rosto, com os olhos, cílios e sobrancelhas bem detalhados da mulher nua - nos cartazes, o artista costumava deixar as formas mais estilizadas, como nas feitas para editoriais de moda de revistas (e em algumas capas de discos, como o próprio 10 polegadas de Renata Fronzi, já mostrado aqui). De qualquer modo, há uma assinatura no canto direito inferior da capa (ilegível nessa fotografia, tirada diretamente do computador) que pode solucionar esse mistério. Se alguém tiver esse disco e puder compartilhar esse crédito com o blog, essa capa poderá ou não entrar no catálogo de obras de Joselito Mattos. Por enquanto, é só especulação. De qualquer maneira, que bela arte!

sexta-feira, 3 de julho de 2026

(9) "Festival" nº 1"(M-20 - 1954/1955)

Outra capa muito difícil de localizar é essa, do disco 10 polegadas "Festival nº1" (que só na contracapa aparece com o nº1 no título, nome oficial no catálogo da gravadora), que traz um time de respeito com Orlando Silva, Roberto Luna, Trio Surdina e o próprio "chefe" Nilo Sérgio. Joselito continuava deixando de lado as capas mais engessadas típicas da época e partia para exercícios livres com formas geométricas. Quase sempre ele acertava no resultado final. Aqui, com muitas listras (com tons que lembram o animal africano Ocapi, espécime que mistura zebra e girafa), o capista foi ousado, mas talvez tenha se empolgado demais no acréscimo de elementos. Mesmo batendo na trave de vez em quando, Joselito nunca deixava de experimentar e essa sua busca o levaria num futuro bem próximo à uma criação inovadora.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

(8) Típica D´Ávlis - Tangos Famosos nº2 - Carlos Gardel (M - 21 - 1954/1955)

Na virada de 1954 para 1955, a banda panamericana Típica D'ávlis, pioneira entre os contratados da gravadora Musidisc em 1953, gravou seu segundo disco 10 polegadas de Tangos na casa: "Tangos Famosos nº2 - Carlos Gardel". Essa foi outra capa de Joselito Mattos que ficou de fora de sua biografia de 2023 por total falta de imagens que pudessem comprovar a assinatura do artista. Pois ei-la aqui! Não é das capas mais chamativas ( a cor "burro quando foge" do fundo não ajuda nesse quesito), e o violão zebrado cobrindo o título também não coopera, mas as letras e os traçados de Joselito no layout salvam o contexto geral.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

(7) Ary Barroso (Vol.2) - 1955 (DL 1001)


Este 10 polegadas "Ary Barroso Vol.2" abre a série DL (De Luxe) que foi mostrada no post anterior (com Trio Ternura), com sucessos do compositor executados por Nilo Sérgio, Orlando Silva, Rud Wharton, Leal Brito e Horácio Corrêa (entre eles "Rio de Janeiro", "No Rancho Fundo" e "Na Baixa do Sapateiro"). Deixei o disco num post à parte, pois para mim foi uma descoberta recente. Quando estava pesquisando para o livro "Joselito Mattos Solta seus Bichos" (Noir - 2023), chequei as capas do período uma a uma - os créditos para os autores das capas nessa época são difíceis de localizar, pois muitas vezes são omitidos, somem na hora da impressão da capa ou aparecem em algumas prensagens e outras não - e esta específica de Ary Barroso, embora aparecesse na listagem dos lançamentos nas contracapas, por se tratar de um disco raro, não foi possível checar por falta de imagem disponível. Só depois do livro lançado é que consegui verificar numa imagem o nome de Joselito gravado na lateral da capa (no site Discogs - esta imagem por estar mais desfocada não é essa acima). Outra imagem (acima) que capturei na sequência em um site de vendas, embora com mais nitidez, foi editada e tem cortes na lateral, impossibilitando a checagem da assinatura. Mas com a checagem anterior, provei que esta faz parte também da galeria de capas de Joselito Mattos.

Joselito está muito à vontade nesse retrato caricaturado de Ary Barroso. Afinal, desde seus caderninhos de esboços do teatro de revista (vide post 1 deste blog) e algumas tentativas isoladas em jornais, vinha caricaturando muitas personalidades do teatro e da rádio, se aperfeiçoando portanto nesse gênero de desenho. Neste caso, com bico de pena e aquarela, traz um Ary ligeiramente risonho, olhando fixamente para quem o observa, entre letras de seu nome dispostas geometricamente, formando uma simetria elegante.


terça-feira, 24 de março de 2026

(3) a (6) Trio Surdina: "Boleros Famosos nº1"; "Aquarela do Brasil"; "Boleros Famosos nº2"; e "Trio Surdina Interpreta Dorival Caymmi/Ary Barroso/Noel Rosa (1954/1955)

A partir de 1954, a gravadora Musidisc lançou uma sequência considerável de discos de 10 polegadas do Trio Surdina, principalmente para a série 'De Luxe', todos com capa de Joselito. Foram eles: Boleros Famosos nº1 (DL -1003); Aquarela do Brasil (DL -1004) - com um pássaro psitacídeo multicolorido envolto em pinceladas de aquarela; Boleros Famosos nº2 (DL-1005) - cuja capa,  quase idêntica ao número 1 (só a cor do fundo difere), mostra um tapete colorido "dependurado" e um "bonequinho" mexicano estilizado "laçando" a lista das músicas; Ouvindo Vol.1 (DL-1006) - que anos mais tarde sairia na Itália com capa do famoso quadrinista Guido Crepax, criador de Valentina. Essa é a única capa da sequência em que não aparece o nome de Joselito - muitas capas da gravadora acabavam sem os devidos créditos para layout/foto por conta de anúncios de seu próprio catálogo que tomavam toda a extensão da contracapa, não dando espaço para nenhuma ficha técnica e no caso, sem também constar a assinatura na capa - portanto, não podemos considerar para a posteridade como "capa de Joselito". Pela pose da modelo e o layout/lettering, tem toda pinta de cenário criado por Joselito/Mafra. Luiz Mafra Ramos, que tinha fundado seu estúdio no ano anterior e já era considerado na época o "fotógrafo das vedetes", engataria uma parceria avassaladora com Joselito nos próximos anos na própria Musidisc (e portanto, aparecerá muito no blog), mas essa capa, especificamente - que se tivesse crédito, certamente seria a primeira capa comprovada da dupla -, não entra na nossa lista por falta de prova (vejam o disco aqui: https://www.discogs.com/pt_BR/release/16477959-Trio-Surdina-Ouvindo-Vol-1?srsltid=AfmBOoqYyGsdsJpdQVGdYOrPYieL-V2IWiSuqbvnvBIcPhMcQPY_2lwM); Trio Surdina Interpreta Dorival Caymmi/Ary Barroso/ Noel Rosa (DL- 1007), com uma capa geométrica enxuta e que funciona visualmente, fecha a sequência. O próximo da série, DL-1008, disco com Ubirajara Silva, será destrinchado no próximo post. O Trio Surdina, entre todos os artistas pioneiros da Musidisc, foi quem teve uma colaboração mais ativa e maciça de Joselito Mattos na feitura das capas. O trio é reconhecidamente uma das formações mais aclamadas da música brasileira, principalmente enquanto manteve o trio fundador original - Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955), multi-instrumentista, exímio violonista e com amplo prestígio na Rádio Nacional por anos; Fafá Lemos (Rafael Lemos Júnior - 1921-2004), violonista que transitou com muita desenvoltura tanto em orquestras sinfônicas como populares e Chiquinho do Acordeon (Romeu Seibel - 1928-1993), um ás em seu instrumento. Qualquer um que ouvir o Trio Surdina hoje em dia pode perceber nas entrelinhas de seu som características similares à futura Bossa Nova - a interpretação de Fafá Lemos para  "Duas Contas" (Garoto) é uma das performances mais próximas do que viria fazer João Gilberto como cantor alguns anos depois. Nada mais natural, visto que o trio foi formado no programa "Música em Surdina", que tentava reproduzir nas ondas do rádio, um ambiente similar às boates da zona sul do Rio, com música adaptada para o espaço diminuto de seus palcos e em acordo com a plateia sofisticada que preferia uma música mais intimista, acústica e ao mesmo tempo mais "orgânica". Joselito fez outras capas para o trio, mesmo após a morte prematura de Garoto em 1955 - e estarão aqui no blog em breve. Por ora, fiquemos com essa exuberante sequência do Trio Ternura na série DL entre 1954 e 1955 (o disco que abre a série, DL-001, com Ary Barroso, fica para o próximo post - um achado posterior ao livro do Joselito).






segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

(2) "Fantasia Infantil nº1 (H-35.002) - Musidisc - 1954

O disco que inaugurou os posts numerados deste blog, "Cançoes de Amor", de Renata Fronzi, foi o 11º LP da gravadora Musidisc, fundada pelo intérprete, compositor e empresário Nilo Sérgio em novembro de 1952. O 9º lançamento da gravadora foi "Show" (M-009), coletânea com inéditas citada no mesmo post, em 10 polegadas (formato usado pela Musidisc nestes seus primeiros anos). O primeiro disco da companhia foi "Datas Felizes", de 1953, com o próprio Nilo Sérgio, As Estrelas (pseudônimo do Trio Madrigal) e arranjos e regência do maestro Leo Peracchi, com orquestra. O ponto em comum entre "Datas Felizes" e "Show" é a assinatura da capa de um dos grandes desenhistas do período, Rodolfo, um dos pioneiros em capas desenhadas como colaborador da Continental ("Parada Continental, primeiro LP da gravadora, tem capa dele) e que naquele momento fazia parte com destaque da equipe da revista infantil "Sesinho", ao lado de Joselito Mattos (onde permaneceu por anos, principalmente - mas não unicamente - como capista). Inclusive, além da amizade com Renata Fronzi, pesou muito a presença de Rodolfo na Musidisc para que o contrato de Joselito fosse firmado com a gravadora. Outra presença auspiciosa, e esta definitiva para a contratação do artista, foi o parentesco de Nilo Sérgio com Walter Pinto, o "chefe" de Joselito no teatro de revista: Nilo era irmão de Walter, por parte de pai. Rodolfo teve uma sequência de nove discos com sua arte sutil e poética na Musidisc, enquanto mantinha paralelamente sua colaboração com a Continental (em discos como "Ernesto Nazareth; Radamés Gnattali" e "Joias Musicais Brasileiras, de Radamés Gnattali). Criou mais algumas capas em seguida, até que de repente, estancou sua carreira no setor fonográfico - seguiria nas artes gráficas em livros e ilustrações editoriais.

A produção de Joselito entre a sua contratação pela Musidisc (julho de 1953) e o início da fabricação de LPs de 12 polegadas pela mesma gravadora (janeiro de 1956) é camuflada pela falta de crédito, comum no período, aos reponsáveis pela arte/layout das capas. No livro biográfico "Joselito Solta seus Bichos" (Editora Noir - 2023), penei para pescar imagens de capas que me trouxessem algum sinal do nome de Joselito Mattos nos créditos e até para cravar o ano exato de lançamento dos discos no período. Para as imagens, fui salvo por anúncios e leilões na internet; para os anos, notinhas na imprensa. Este disco que destaco nesse segundo post numerado, foi lançados entre 1954 e 1955 (e no livro, acabei citando em sua segunda prensagem, de 1956) e embora não tenha assinatura de Joselito, traz a sua arte em estado puro - quem conhece Joselito Mattos de suas incursões nas histórias em quadrinhos, reconhece seu traço antropomorfizado de cara. A tartaruga ou o macaco vestindo um fraque de comissão de frente de fanfarra, por exemplo, são "irmãos de traço" de seus famosos personagens nas HQs. Essa série infantil paralela da Musidisc contou com um primeiro lançamento, "O Gato de Botas/O Pequeno Polegar" (H-35.001), com capa de Rodolfo e clássicos de Charles Perrault, adaptados por Haroldo Barbosa, com locução de Luiz Jatobá. "Fantasia Infantil nº1" foi o segundo lançamento da série (H-35002) e até onde se sabe, o último. Com Lenita Bruno, Coro e Orquestra, traz no lado A músicas tradicionais adaptadas por Nilo Sérgio e Alberto Ribeiro ("Parabéns a Você", "Ciranda Cirandinha") e inéditas da dupla ("Aniversário de Mamãe"; "Canção da Páscoa"). No Lado B, duas histórias criadas por Joselito e Nilo Sérgio, com narração de Oswaldo Luiz: "A Lenda das Estrelas" e "A História de Papai Noel". Essa foi a primeira capa de disco de Joselito Mattos para o público infantil (com direito a histórias suas em parceria incluídas), gênero em que ficaria muito conhecido seis anos depois (fase que será devidamente esmiuçada nesse blog, em seu devido tempo).


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

(1) "Canções de Amor" - Renata Fronzi (Musidisc - 1953)


Essa é a primeira capa de disco criada por Joselito Mattos na vida. Ele mantinha um caderno de esboços e ilustrações recheado com retratos de bastidores de seus colegas e amigos do teatro de revista - Joselito já era em 1953 um conceituado cenógrafo, figurinista e ilustrador de material de divulgação da Companhia Walter Pinto, a mais famosa do gênero. Entre suas amigas, musas do teatro de revista em todos os tempos, como Mara Rúbia, Nélia Paula, Virginia Lane, Íris Bruzzi e Renata Fronzi. Quando Renata Fronzi recebeu a proposta da direção da gravadora Musidisc, no início de 1953, para gravar um disco de dez polegadas para a casa, a atriz não titubeou em chamar seu grande amigo Joselito para o layout da capa de seu debut fonográfico. Como ele tinha dezenas de ilustrações e portraits de sua amiga em seu famoso caderninho - alguns inclusive foram usados para colunas em jornais na época - a tarefa foi facilitada. O LP (M-011) de dez polegadas, mono, em 33 1/3 rotações por minuto, com oito músicas, embora tenha causado certo rebuliço no meio musical e "emprestado" faixas para coletâneas posteriores da própria Musidisc - além da inédita "Se Eu Morresse Amanhã", de Antonio Maria e Pernambuco, da mesma seção de gravação, lançada no disco de inéditas Show (M-009) - foi o primeiro e último da carreira musical de Renata Fronzi.

A capa de Joselito também chamou atenção no lançamento: a atriz/intérprete aparece desenhada a lápis em cinco poses e ângulos diferentes, glamorosa, como se posasse para um catálogo de moda. A assinatura "Joselito - Rio" está lá na fronte da capa de fundo verde, no canto esquerdo do quadro - uma raridade nessa época de escassos créditos autorais para os capistas - e já era uma marca registrada do desenhista nas histórias em quadrinhos e nas páginas de moda em magazines. Detalhe: a não ser por essa assinatura, que possivelmente já estava inclusa no "pacote" dos retratos ilustrados da atriz, não há outra menção ao nome de Joselito, que não aparece na ficha técnica. Na foto da contracapa (não assinada,  pode ser do fotógrafo Mafra, que será esmiuçado em outro momento aqui no blog), a intérprete posa com uma piteira, ao lado de texto elogioso do marido César Ladeira. Um ótimo lançamento, com uma bela embalagem, e com um pequeno lapso frontal, que quase ninguém percebeu: no pequeno quadro que informa as oito músicas, "Insulto" (Mário Lago - Chocolate) fica de fora e uma tal de "Para Que?" está em seu lugar. Foi graças a essa capa chamativa que Joselito Mattos foi contratado como artista exclusivo da gravadora no final de julho de 1953 - ao lado de artistas como o pianista Leal Brito e sua orquestra; o solista de órgão Francisco Scarambone; o conjunto vocal Três Marias e o conjunto panamericano Típica D'Ávlis. Joselito Mattos iniciava e iniciava bem, sua intensa e criativa carreira na indústria fonográfica.



"Música para Adormecer" Vol.1 (Musidisc - DL 1002 - 1955) - É ou não é uma capa de Joselito Mattos?

Esta capa acima, do disco de 10 polegadas da Musidisc "Música para Adormecer" Vol.1, com Oscar Borghet, Léo Peracchi e Quarteto Ce...