"Canções de Amor" - Renata Fronzi (Musidisc - 1953)
Essa é a primeira capa de disco criada por Joselito Mattos na vida. Ele mantinha um caderno de esboços e ilustrações recheado com retratos de bastidores de seus colegas e amigos do teatro de revista - Joselito já era em 1953 um conceituado cenógrafo, figurinista e ilustrador de material de divulgação da Companhia Walter Pinto, a mais famosa do gênero. Entre suas amigas, musas do teatro de revista em todos os tempos, como Mara Rúbia, Nélia Paula, Virginia Lane, Íris Bruzzi e Renata Fronzi. Quando Renata Fronzi recebeu a proposta da direção da gravadora Musidisc, no início de 1953, para gravar um disco de dez polegadas para a casa, a atriz não titubeou em chamar seu grande amigo Joselito para o layout da capa de seu debut fonográfico. Como ele tinha dezenas de ilustrações e portraits de sua amiga em seu famoso caderninho - alguns inclusive foram usados para colunas em jornais na época - a tarefa foi facilitada. O LP (M-11) de dez polegadas, mono, em 33 1/3 rotações por minuto, com oito músicas, embora tenha causado certo rebuliço no meio musical e "emprestado" faixas para coletâneas posteriores da própria Musidisc - além da inédita "Se Eu Morresse Amanhã", de Antonio Maria e Pernambuco, da mesma seção de gravação, lançada no disco de inéditas Show (M-009) - foi o primeiro e último da carreira musical de Renata Fronzi.
A capa de Joselito também chamou atenção no lançamento: a atriz/intérprete aparece desenhada a lápis em cinco poses e ângulos diferentes, glamorosa, como se posasse para um catálogo de moda. A assinatura "Joselito - Rio" está lá na fronte da capa de fundo verde, no canto esquerdo do quadro - uma raridade nessa época de escassos créditos autorais para os capistas - e já era uma marca registrada do desenhista nas histórias em quadrinhos e nas páginas de moda em magazines. Detalhe: a não ser por essa assinatura, que possivelmente já estava inclusiva no "pacote" dos retratos ilustrados da atriz, não há outra menção ao nome de Joselito, que não aparece na ficha técnica. Na foto da contracapa (não assinada, pode ser do fotógrafo Mafra, que será esmiuçado em outro momento aqui no blog), a intérprete posa com uma piteira, ao lado de texto elogioso do marido César Ladeira. Um ótimo lançamento, com uma bela embalagem, e com um pequeno lapso frontal, que quase ninguém percebeu: no pequeno quadro que informa as oito músicas, "Insulto" (Mário Lago - Chocolate) fica de fora e uma tal de "Para Que?" está em seu lugar. Foi graças a essa capa chamativa que Joselito Mattos foi contratado como artista exclusivo da gravadora no final de julho de 1953 - ao lado de artistas como o pianista Leal Brito e sua orquestra; o solista de órgão Francisco Scarambone; o conjunto vocal Três Marias e o conjunto panamericano Típica D'Ávlis. Joselito Mattos iniciava e iniciava bem, sua intensa e criativa carreira na indústria fonográfica.


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